ISSN on-line: 2358-288X
Reprodução & Climatério Reprodução & Climatério
Reprod Clim 2015;30:42-6 - Vol. 30 Núm.1 DOI: 10.1016/j.recli.2015.03.004
Relato de caso
Hirsutismo pós‐menopausa: caso clínico raro de hipertecose ovárica
Post‐menopausal hirsutism: a rare case of ovarian hyperthecosis
Sílvia Fernandes, , Ana Maçães, Filipa Nunes, Fernanda Geraldes, Fernanda Águas
Serviço de Ginecologia B, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal
Recebido 22 Março 2015, Aceitaram 24 Março 2015
Resumo

Durante o climatério podem ocorrer sinais clínicos de hiperandroginismo. Contudo quadros de virilização exigem investigação para exclusão de uma fonte produtora de androgênios.

Doente de 66 anos, com menopausa espontânea aos 50, referenciada à consulta de ginecologia por hirsutismo após a menopausa, com agravamento no último ano e episódios de metrorragia que não valorizava. Ao exame objetivo tinha masculinização da voz, alopécia androgênica, aumento da pilosidade na face, tronco e membros e hipertrofia do clitóris.

Feita ecografia endovaginal que revelou espessamento endometrial e ovários aumentados de volume para a idade; estudo analítico que demonstrou um valor de testosterona total elevado (225ng/dL); tomografia computadorizada da suprarrenal e ressonância magnética crânio‐encefálica que não revelaram alterações; e histeroscopia com remoção de pólipo endometrial, associado a hiperplasia endometrial simples sem atipia. Submetida a histerectomia total com anexectomia bilateral. O estudo histológico concluiu tratar‐se de hipertecose ovárica. Seis meses após a cirurgia apresentava normalização da testosterona sérica, acentuada redução do hirsutismo e melhoria da alopécia.

O diagnóstico de hiperandrogenismo em mulheres na pós‐menopausa constitui um desafio. Os meios complementares de diagnóstico nem sempre permitem detectar a origem da hiperandrogenemia. O tratamento da hipertecose ovárica melhora o hirsutismo e pode reduzir o risco de patologia maligna hormonodependente.

Abstract

Mild clinical signs of hyperandrogenism such as hirsutism may arise during the menopausal transition as part of the aging process. However, development of virilization may be interpreted as the presence a specific source of androgen excess.

66 year‐old menopausal woman, with a record of progressive hirsutism since menopausal age (50 years‐old) exacerbated over the past year. Episodes of metrorrhagia were not valued by the patient. Physical examination showed deepening of voice, frontotemporal alopecia, hirsutism in face, trunk and limbs and hypertrophy of the clitoris.

A transvaginal ultrasound revealed a thickened endometrium and enlarged ovaries considering her age and analytical study showed an increase of total testosterone (225ng/dL). No changes were detected at computerized tomography of adrenals and cerebral magnetic resonance. Performed an hysteroscopy with removal of endometrial polyp, associated to simple endometrial hyperplasia without atypia. The histological diagnosis after hysterectomy and bilateral salpingo‐oophorectomy, revealed a ovarian hyperthecosis. Six months after surgery it was observed a testosterone within the normal range, marked hirsutism reduction and alopecia improvement.

Diagnosis of hyperandrogenism in postmenopausal is a challenging task. Imaging techniques do not always reveal the source of excess androgens. The ovarian hyperthecosis treatment effectively improves hirsutism and reduces the risk of hormone‐dependent tumors.

Palavras‐chave
Hipertecose ovárica, Hirsutismo, Hiperandroginismo, Menopausa
Keywords
Ovarian hyperthecosis, Hirsutism, Hyperandrogenism, Menopause
Reprod Clim 2015;30:42-6 - Vol. 30 Núm.1 DOI: 10.1016/j.recli.2015.03.004