ISSN on-line: 2358-288X
Reprodução & Climatério Reprodução & Climatério
Reprod Clim 2013;28:117-21 - Vol. 28 Núm.3 DOI: 10.1016/j.recli.2014.05.001
Artigo de revisão
Histerectomia total e subtotal: há diferença quanto ao impacto na sexualidade?
Total and subtotal hysterectomy: is there a difference as to the impact on sexuality?
Lucian Pereira de Sousaa, Marcelo José Gonçalvesa, Fabiene Vallea, Selmo Geberb,,
a Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
b Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido 23 Abril 2014, Aceitaram 11 Maio 2014
Resumo
Introdução

a histerectomia é o procedimento cirúrgico ginecológico mais feito. A via de acesso depende de circunstâncias clínicas da paciente e conhecimento técnico do cirurgião. A preservação do colo uterino ainda é motivo de discussão, principalmente pelas possíveis consequências associadas à sua remoção. Uma das mais questionadas, e ainda sem consenso, é a interferência na sexualidade.

Objetivo

revisar a literatura para avaliar se existe ou não diferença com relação à sexualidade nas mulheres submetidas à histerectomia total ou subtotal.

Método

usamos os termos “total hysterectomy and subtotal hysterectomy” em base de dados do Pubmed, o que resultou em 250 artigos. Desses, 34 comparavam variáveis relacionadas ao tipo de histerectomia e dez abordavam a questão da sexualidade juntamente com variáveis de interesse para o artigo.

Resultados

um estudo descreveu uma diferença quanto à sexualidade entre os dois tipos de cirurgia, com uma mudança significativamente mais positiva na frequência de orgasmo e prazer sexual nas mulheres submetidas à histerectomia subtotal. Em seis estudos os autores não observaram diferença entre os dois tipos de cirurgia. Outro estudo apresentou resultados de pioria do prazer sexual, porém de forma semelhante nos dois tipos de cirurgia.

Conclusão

apesar de não haver ainda um consenso sobre os efeitos da histerectomia total sobre a sexualidade, parece não haver diferença entre os dois tipos de procedimento. Assim, a decisão deve ser tomada de forma individualizada e respeitadas a indicação, as condições clínicas de cada paciente e a experiência do cirurgião.

Abstract
Introduction

hysterectomy is the most commonly performed gynecological surgical procedure. The preservation of the cervix is still under discussion, especially the possible consequences associated with their removal. One of the most questioned, and yet no consensus is interference in sexuality.

Objective

the aim of the study was to review the literature to assess whether there is difference with regard to sexuality, in women undergoing total or subtotal hysterectomy.

Method

an electronic search was performed with Pubmed database. We used the terms total hysterectomy and subtotal hysterectomy and our search retrieved 250 articles. Among these, 34 compared the type of hysterectomy and 10 addressed the issue of sexuality associated torelevant variants of interest to the article.

Results

among the original articles, only 10 addressed the issue of sexuality, along with other variables or as a central theme of the article. Only one study reported a difference in sexuality between the two types of surgery, with a significant positive change in frequency of orgasm and sexual pleasure in women undergoing subtotal hysterectomy. In six studies, the authors found no difference between the two types of surgery.

Conclusion

only one of the studies presented results from impair sexuality, but were similar in the two types of surgery. Although there is still no consensus on the effects of hysterectomy on sexuality, there seems to be no difference between the two types of procedure. Thus, the decision must be taken individually, respecting the indications, the clinical conditions of each patient and surgeon experience.

Palavras‐chave
Histerectomia, Sexualidade, Efeitos adversos
Keywords
Histerectomy, Sexuality, Adverse effects
Reprod Clim 2013;28:117-21 - Vol. 28 Núm.3 DOI: 10.1016/j.recli.2014.05.001