ISSN on-line: 2358-288X
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Reprod Clim 2015;30:127-31 - Vol. 30 Núm.3 DOI: 10.1016/j.recli.2015.11.005
Artigo original
LAP (produto da acumulação lipídica) e síndrome metabólica em pacientes com síndrome dos ovários policísticos
LAP (lipid accumulation product) and metabolic syndrome in patients with Polycystic Ovary Syndrome
Júlia Alves Diasa, Ana Lúcia Cândidob, Flávia Ribeiro de Oliveiraa, Rosana Correia da Silva Azevedoc, Ana Luiza Lunardi Rochaa,d,, , Fernando Marcos dos Reisa,d
a Laboratório de Reprodução Humana, Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
b Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
c Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
d Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido 28 Outubro 2015, Aceitaram 16 Novembro 2015
Resumo
Introdução

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma desordem endócrina comum que afeta 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. A associação entre síndrome metabólica e alterações relacionadas à glicose e insulina é frequente em pacientes com SOP, eleva o risco cardiovascular dessas pacientes. O LAP é um índice de risco cardiovascular emergente que se baseia na combinação da circunferência abdominal (CA) e triglicérides (TGL) em jejum e reflete de forma simples a acumulação lipídica em adultos.

Objetivos

O presente estudo avaliou as possíveis correlações entre síndrome metabólica e o LAP nos parâmetros metabólicos e reprodutivos de pacientes com SOP.

Materiais e Métodos

O estudo incluiu 299 pacientes portadoras de SOP, definida pelos critérios de Rotterdam, acompanhadas no Ambulatório de Hiperandrogenismo do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC‐UFMG).

Foram avaliados

(1) dosagens séricas de triglicérides, testosterona total, glicemia de jejum e duas horas após sobrecarga de 75 gramas de dextrosol (GPD), TSH; (2) cálculo do LAP; (3) cálculo do índice de Ferriman; (4) avaliação do volume dos ovários; (5) medida da circunferência abdominal e (6) presença ou não de síndrome metabólica.

Resultados

A média do LAP foi 60,9 e a mediana 51,3. Pacientes com ou sem síndrome metabólica quando comparadas entre si não apresentaram diferenças quanto a volume ovariano, testosterona total, índice de Ferriman, glicemia de jejum e pós‐dextrosol. As mulheres com síndrome metabólica tiveram valores de TSH mais altos do que as mulheres sem síndrome metabólica. Já as mulheres no quartil superior do LAP tiveram TSH, índice de Ferriman e GPD maiores do que as mulheres nos quartis inferiores de LAP.

Conclusões

Os valores mais elevados do LAP sugeriram boa correlação desse índice com resistência insulínica. Os valores de TSH mais elevados em pacientes com síndrome metabólica e LAP no quartil superior em pacientes com SOP representam um dado novo na literatura que precisa ser mais bem estudado.

Abstract
Introduction

Polycystic Ovary Syndrome (SOP) is a common endocrine disorder that affects 5‐10% of women of reproductive age. The association between metabolic syndrome and changes related to glucose and insulin is frequent in patients with SOP, increasing the cardiovascular risk of these patients. The LAP is an emerging cardiovascular risk based on the combination of waist circumference (WC) and triglycerides (TGL) and fasting simply reflects the lipid accumulation in adults.

Objectives

This study examined the possible correlation between metabolic syndrome or LAP and reproductive and metabolic parameters in patients with SOP.

Materials and Methods

The study included two hundred ninety‐nine patients with SOP, defined by the Rotterdam criteria followed at HC‐UFMG who had assessed their levels of triglycerides, total testosterone, fastingand two hours after 75 grams of overload dextrosol (GPD), TSH, LAP, Ferriman index, ovarian volume and abdominal circumference, and the presence or absence of metabolic syndrome.

Results

The mean LAP was 60.9 and the median 51.3. Patients with and without metabolic syndrome when compared to each others howed no differences in ovarian volume, total testosterone, Ferriman, fastingand post‐dextrosol. Women with metabolic syndrome had higher TSH levels than women without metabolic syndrome. The women in the top quartile of the LAP had TSH, Ferriman and GPD higher than women in the lower quartiles of LAP.

Conclusions

The higher values of LAP suggested good correlation of this index with insulin resistance. TSH levels were higher in patients with metabolic syndrome and LAP in the top quartile in SOP patients represent a new element in the literature and needs to be better studied.

Palavras‐chave
Síndrome dos ovários policísticos, Resistência à insulina, Síndrome x metabólica, Gordura abdominal
Keywords
Polycystic ovary syndrome, Insulin resistance, Metabolic syndrome x Abdominal fat
Reprod Clim 2015;30:127-31 - Vol. 30 Núm.3 DOI: 10.1016/j.recli.2015.11.005