ISSN on-line: 2358-288X
Reprodução & Climatério Reprodução & Climatério
Reprod Clim 2016;31:55-61 - Vol. 31 Núm.1 DOI: 10.1016/j.recli.2015.11.004
Artigo de revisão
Preservação da fertilidade em doentes oncológicos ou sob terapêutica gonadotóxica: estado da arte
Fertility preservation in oncologic patients or undergoing gonadotoxic therapies: state of art
Claudia Tomás, , Berta López, Iris Bravo, José Luis Metello, Pedro Sá e Melo
Centro de Infertilidade e Reprodução Medicamente Assistida, Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal
Recebido 06 Outubro 2015, Aceitaram 01 Novembro 2015
Resumo

O câncer não é incomum nem incurável: 85% dos doentes com menos de 45 anos diagnosticados nos EUA em 2002 sobreviveram mais de 10 anos. As maiores taxas de sobrevivência verificam‐se nos doentes jovens com câncer da mama, testicular e hematológico. Contudo, é para tratar estes tumores que são usados os fármacos mais gonadotóxicos, assim como doenças hematológicas e autoimunes também requerem terapêuticas potencialmente lesivas para as gônadas para o seu controle. O comité ético da Sociedade Americana de Medicina da Reprodução considera que “existem fortes argumentos para a preservação da fertilidade em doentes jovens com cânceres tratáveis”. Cabe ao médico assistente (oncologista, hematologista, cirurgião, internista) decidir o tratamento do paciente e considerar: o risco de falência ovárica/testicular; o prognóstico e o timing para iniciar tratamentos. Por outro lado, ao especialista em medicina da reprodução cabe desenvolver estratégias para preservar gâmetas/embriões de acordo com idade, tempo disponível até início do tratamento, tipo de câncer, status marital e risco de infertilidade com a terapêutica proposta. A colaboração contínua entre esses especialistas, incluindo os doentes e os parceiros, é a chave para a tomada de decisões que permitam a preservação da função reprodutiva após controle da doença de base.

Abstract

Cancer is not unusual neither incurable: in USA 85% of patients under 45 years diagnosed in 2002 survived more than 10 years. The highest survival rates occur in young patients with breast, testicular and hematologic cancer. However, these tumors are treated with drugs wich most affect fertility and there is evidence that the discussion of preserving fertility is of great importance. Moreover, hematologic and autoimmune diseases may also require the use of potentially gonadotoxic drugs for their control. The ethics committee of the American Society for Reproductive Medicine believes that “there are strong arguments for the preservation of fertility in young patients with treatable cancers”. It is up to the physician (oncologist, hematologist, surgeon, internist) to decide the best treatment to the patient evaluating the risk of ovarian/testicular failure; the prognosis and the timing to start treatments. Moreover, the specialist in reproductive medicine should develop strategies to preserve gametes/embryos according to: age; time to treatment; type of cancer; marital status and risk of infertility, with the proposed therapy. The ongoing collaboration between these specialists, including patients and partners in the discussion, is the key to making decisions that allow the preservation of reproductive function after control of the primary disease.

Palavras‐chave
Quimioterapia, Radioterapia, Câncer, Preservação da fertilidade, Gâmetas, Embriões
Keywords
Chemotherapy, Radiotherapy, Cancer, Fertility preservation, Gametes, Embryos
Reprod Clim 2016;31:55-61 - Vol. 31 Núm.1 DOI: 10.1016/j.recli.2015.11.004